terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Catálogo

Entregam-me todos os dias,
Um catálogo da minha vida.

Não é nada extenso o meu catálogo,
(Aliás, é um catálogo branco),
Já que eu não fui mais do que fumo e sonhos.

Não fui nada em momento algum,
Pois estava ocupado a ser num outro lugar,
Que não este ou aquele,
Que não o agora, o antes e o depois.

Sou (se é que sou mesmo...) sobretudo mudança!
Sou o tempo que não pára de passar por mim,
Portanto, não sou definitivamente nada,
Com espaço para ser tudo a todo o instante.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

S

Sou sempre seres sentimentais,
Sensacionalmente sensuais.

Ser sempre sonoros sons,
Suprema subtiliza.

Se são sabidos singelos,
Sento-me sabendo Sentir.

Sinto suores,
Sinto sombra.

Sombra.
Sombr.
Somb.
Som.
So.
S.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Nulidade

É estranho sentir a inexistência de tão perto.

Saber-me quase relativamente certo,
Na Lua que todos os dias passa por mim,
Nas manhãs de Sol eterno, Sol frio de Inverno,
Sol eteriamente sem fim.

Neste pêndulo de ideias,
Sou eu comigo mesmo, a olhar o céu estrelado.
Teço, sozinho, enormes e finas teias,
De pensamentos brilhantemente negros e dourados.

É-me estranho ser estranho de mim mesmo.
A solidão confunde-me na sua simplicidade.
A simplicidade de ser assim mesmo.
O ser assim mesmo um ser de Saudade.

Tenho Saudade dos tempos da memória.
Mas não tenho memória dos tempos de Saudade.
Porventura, esqueci-os nesta viagem sem glória.
Porventura, a minha mente votou-se à Liberdade.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Linha Recta de um Poema

Sou agora todos os momentos que acabaram de passar por mim, que ainda passam,
Que passam num depois que é agora, deste Tempo imedido, Intemporal, indefinido,

Inconstantemente estranho.
Aparece de súbito e esvaisse na passagem das minhas ideias,
Que cavalgam os ponteiros do relógio.

Todo este Mundo é um oceano de ondas, que permanentemente se percipitam numa subida triunfal, majestosa,
Caindo em seguida para o percipício da existência finda,
De onde renascem sempre.

Ahh, este não gostar do vento, por sabê-lo existente só quando eu queira!
Mas quando eu quero, ele abana todos os fios que se estendem daqui até um infinito imperceptível!

Todos, menos as linhas rectas!