terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Nós

Vou puxar a minha vida
E atá-la a uma árvore.

Sem corda.

Sem correntes.

Sem Nós.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Preto e Branco

Branco, Luz,
Som de nada contra nada e eu sozinho comigo.
Espaço da inêxistencia e da minha loucura de me deixar ir só para longe de mim mesmo,
Habitar um espaço temporal que não é meu,
Que alguém perdeu algures,
E eu apanho do chão,
Como um cigarro já fumado,
Mas ainda quente.

E demoro a Eternidade.
Apanhar este cigarro é um acto belo, é a Beleza por si só.
Agarro agora noutra vida, que se esfuma, tal como a minha.
Lentamente,
Lentamente entre cada impulso que me percorre a mente.
Tão lentamente, que não noto a parede branca à minha frente, esbarrando contra ela a toda a velocidade,
Como um comboio de vida que não pára,
Como o Tempo que passa e eu não consigo deter.

Na lentidão do meu choque,
Fundo-me com o branco desta parede.
Sinto cada um dos meus átomos desagregar-se,
Fugir, rindo, correndo lentamente para outro local, Outro Mundo.

Abandono agora a minha Imaginação,
Pintando de negro o branco da parede.
Todo o branco,
Nem só uma pinta branca.

Negro, só o Negro e a minha alma.








E a meio da minha Morte,
Lembro-me que a parede é Real.

E que tem outro lado,










Branco.

sábado, 3 de janeiro de 2009

História

Escreve uma história comigo!
Vá lá, escreve!
Escreve uma história!

Escreve-a agora, escreve-a ontem, escreve-a sempre.
Escreve-a com a caneta que tens agora na mão, mesmo que não a tenhas.
Imagina a história,
Imagina a caneta,
Imagina a tinta a rolar, e rola sem fim, para fora da caneta que não exite (existe pois!) cravando cor num papel, que de existência tem só a tua vontade!

De onde virão as palavras que escreves?
Para onde irão? Escreves palavras? Ou sou eu agora que escrevo que tu escreves?
Será que sou eu que dito o Mundo como ele é?


Não, não pode ser, estás incrédulo! Revoltas-te agora (vês como te ordenei?)
Controlas a tua mente, como te digo!
Ahhhh, mas que aflição! Ninguém te controla, tu és tu próprio, tu constróis-te a ti mesmo, ao mesmo tempo que me constróis a mim e baralhamo-nos, como um baralho de mil cartas, com faces verdadeiras e mentirosas!
Tu és todas as letras que escreves, és o teu pensamento, és o Mundo que te rodeia, tu és o Sentir e o Olhar, és as estrelas que brilham no céu, enquanto te escrevo!

Tudo isto só em ti...
E eu, que serei?
Já imaginaste?