domingo, 17 de agosto de 2008

À Procura de NY

Nova Iorque...
Terra e Céus misturados numa profusão de cores,
Oscilando com o movimento suave e síncrono,
Daqueles que a compõe.

Mas, é isto Nova Iorque?
Será Nova Iorque as luzes a piscar,
Quais milhões de corações de uma cidade que nunca dorme?
Ou será a neve que cai no Inverno,
Branca,
Dando a tudo um toque de imponderabilidade no Tempo?
Ou mesmo o Homem,
Que faz aquele Jazz deambular,
Entre cada sorriso das crianças que passam?

Ou então, Nova Iorque é o fumo do cigarro,
Meio consumido, meio inteiro,
Que agitado,
Arde lentamente na mão daquela Mulher.
Daquela Mulher sentada,
Elegante,
Distante daqui.
Distante.

Aquela Mulher Sonha.
O Sonho é Nova Iorque.

sábado, 16 de agosto de 2008

Compreensão

Alguma vez pararam tempo suficiente,
Para conseguirem parar o Tempo?
Alguma vez fecharam os olhos,
Respiraram,
Aspiraram todos os movimentos do Mundo,
Cada batimento vivo dentro de vós e de cada uma das coisas que vos rodeia?

Alguma vez,
Foram um só?
Um ente inteiro.
Ligado a tudo,
Sentindo todas as gotas de chuva que caem longe,
Como se vos banhassem naquele momento?
Frias,
Vivas.

Alguma vez, fecharam os olhos,
Para Ver?

Alguma vez fecharam os olhos?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Hipnose

Será que,
Por um momento só,
Alguém pensou em pensar?

Melhor,
Será que,
Por um momento só,
Alguém pensou no pensar?

Pergunto isto
Não por pensar que penso,
Mas porque penso que pensar,
Poderá, eventualmente,
Trazer algo de novo ao meu pensamento.

Humm, é verdadeiramente curiosa esta ambiguidade,
Que se reparte entre pensar, pensamento e ter pensado.
E,
No fundo, tal não passa de um simples engodo imaginário,
Lançado ao ar pelo Tempo.

Ahh sim, é esse Tempo!
O Tempo que faz velho o Pensar!
Ou antes,
Que o faz semi-novo!

domingo, 10 de agosto de 2008

Tristeza

Hoje, que me lembro dos momentos que passei noutros tempos,
Que me recordo da linha que me guiou na criação de um Mundo,
Que advogo e defendo como meu,
Sou lúcido demais.

Tanto ver que tenho!
Sei tudo o que me rodeia porque é meu,
Porque sou uno com estas linhas que escrevo e com o Mundo a desabar sobre mim!

Procuro o fim,
Sem saber ou conhecer qualquer princípio,
Simplesmente porque todos são meus!

Vivo aprisionado nestas correntes que me deixam inpune,
Ante um Mundo permanentemente em branco.

Perpetual Motion

Num desses dias de Sol e de Chuva,
Onde é indistinta a existência Real ou Irreal,
Movem-se matérias...

Mas, aspecto curioso,
O materialismo da matéria reveste-se de uma rigidez intangível.
Tão dura quanto a fluidez do nosso pensamento.

Este pensamento verdadeiramente único!
Qual micro-cosmos,
Dobra,
Estende,
Distente.
É nulo em sentido e percepção,
É existência do Tempo, agora, num momento único,
E então desmancha-se em todos os pedaços imagináveis e inimagináveis,
Catalisados por uma fome de Mundo.

Uma fome sem fim!
Voracidade própria de seres incompletos, imcompreensíveis,
Ávidos de constante reinvenção!

Viva para eles a mente e o saber!
Com eles moldam tudo à sua volta,
Dentro de um tempo que não acaba,
Não começa,
Que se há-de perpétuar na realidade.

E eu ?

Humm, eu...

Eu procuro este Sol e esta Chuva,
Que me molha e aquece,
Que me faz saber que estou triste,
Porque vivo em eterno Nada,
Porque penso...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Motivo

Há existências que nos prespassam,
Quais estados de levianez.
Olhamos para variados objectos
E vemos sempre uma confusão de Tempo neles reflectido.

Como eles, também nós nos achamos a nós mesmos
Em determinadas situações,
Às quais escapar se torna impossível.

Mas, porquê escapar?
Será assim tão absurdo entregarmo-nos a nós mesmos?
Provavelmente, somos excessivamente valiosos para pegarmos na nossa consiciência
E a lançarmos para fora de nós,
Como se de nada se tratasse.

No entanto, e para além disso diga-se,
Pois falamos de coisas que nos transcendem,
Teimamos numa pseudo-interpretação do Mundo,
Subjugada a um irrealismo metódico.

Por exemplo, qual é o motivo daquele carro que agora passa,
Já passou, enfim,
O motivo da gota de chuva etérea, virginal,
Que agora cai,
Que se levanta novamente em milhares de gotas,
Que voltam a cair novamente neste eterno suplício de realidade inacabada?

Parece-me sensato ajuizar que não há aqui motivo nenhum.
Mas, e porque sei que a questão é pertinente,
Que dizer de uma acção humana?

Não digo nada, porque não tenho motivo.