quarta-feira, 9 de julho de 2008

Suspenso

Temos definitivamente um tempo efémero.
Um tempo que não podemos suspender,
Mas que por força própria nos suspende a nós,
Sempre que tal lhe é proveitoso.

Somos suspensos acima da Realidade,
Acima dos Outros,
Acima do Mundo,
Acima de Nós Mesmos.

Pairamos quais nuvens sobre a nossa própria consciência.
Somos o imaterialismo que, imaginativamente,
Dá colorido e forma as percepções que nos rodeiam.

Ahh mas que tristeza esta de ser Eu sem nunca ser Eu!
Que tédio esta infindável mudança,
Esta espiral negra de imaginação sem fim.

Que bom que era ser suspenso disto tudo!
Suspender a suspensão!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Murmúrio

Entre a Realidade das nuvens,
Do Céu azul que me rodeia,
Do Mar, aberto, revolto, indo e voltando nas intermitências de um ser sem explicação,
E a minha Realidade,
Não vejo senão imaginação.

Sou tudo o que imagino.
Sou o calor que me aquece a face,
Os olhares dos outros que me olham.
Sou eu mesmo e não sou ninguém como consequência disso.

Estou em todos os movimentos de tudo.
Rodo qual Sol, Terra, Lua, ou outro elemento espacial.
Sou arbusto, árvore, flor, fruto, feito Nada.

Sou tudo agora, sempre que quiser, porque sou só pensamento.
Cada pensamento desfiado do novelo imenso que se instaurou em mim,
É mais um passo deste Nada que me sustém imaterial.