quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

We all go to hell...

Passar a pé aquelas ruas infinitas,
Sem nexo nenhum na alma, ou ideias que se sobreponham ao perder-me,
Qual inconsciente,
Incompreendida solidão, volátil na mais pequena brisa.


Dancemos, ao som electrizante do bater da chuva,
Na janela que nos olha sem pavor.
Cantemos pura alegria, sem a sentir,
Experimentar, Viver,
Ao menos saber não ter perdido nada, de tudo o que não tenho!


Continuemos a caminhada,
Não vamos esperar que aquele sinal fique de um verde...
Rubra e incandescente a lâmpada que o acende e lhe dá um brilho,
Aquele brilho...


Aquele brilho que eu toquei,
Aquela vontade toda concentrada naquele ponto, Força ali toda em bruto,
Brutal, Brutalmente amada.
Inteira ao pecado mortal de se querer para si.
Cansada de lutar pela Lua...

Ah, chegámos...
Já sinto o brilho do Inferno...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Ao Sol

Sentei-me agora nesta cadeira sem braços, ou pernas,
Ou existência que seja.
Sentei-me, só para apreciar o Sol de Inverno que brilha,
mas não me entende.
E é curioso o facto de ver discorrer,
Imparável,
Inacessível,
O movimento inexorável da vida,
Presa numa simples teia de medo.

Mas para quê preocupar-me?
Afinal, nem o Sol se preocupa.
Só me aquece,
E que bem que o faz!
Fenece, mas assim é a realidade mordaz.

Humm, sim em suma avaliação são bateres sincronizados da morte.
Vaga e triste a sorte do sentir.
Enfim, só ele tem a culpa de não ser propriamente,
De viver agarrado à displicência de quem o aceita.

Ah, uma nuvem...
E gela-me a sensatez,
Cai o calor nobre e nu sobre a realidade.
Despida,
Esvaziada do preconceito vil e avarento.
Corpos nus abraçam-se,
Consomem-se na beleza de se amarem,
Engolem-se, rasgam-se, devaneiam-se!
Ah, mas que belo é o amor!
Que epopeia sem dó nem piedade,
Promíscua saudade de tempos futuros,
Que vem e vão!
Mas que prazer, que luxúria!
E os gritos!
Aquele sentir, o sumo fervor!
A explosão de tudo e nada, já agora até sempre!

Mas, onde vai agora a nuvem?
Onde?
O simples vidro só me mostra o Sol belo,
Radiante, qual guerreiro triunfante,
Numa batalha que nem eu próprio me recordo.

Já ninguém está comigo.
Cessou a epifania,
E o Sol não me entende.

Passagem

Nesta eterna praia em que me encontro,
Onde vento, luar e mar, me encontram,
Tão triste,
Tão distante,
Tão sentimento.

Nem na fúria do tormento, me levantam a consciência.
Súbtil,
A eterna violência de não sonhar o tempo.
De ser análogo a mim mesmo, na altura que já perdi.

Ah, passagens infinitas pela orla do Saber!
Tanto mal, tanto querer!
Tanto não viver por tudo, e mais a alma lúcida!
São as voltas eternas de me sentir,
Sentado, sem medo da Luz.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Entre as pedras da calçada,
Que percorro, sem-fim,
Revejo-me a cada momento.

Entre cada passo,
Medido, ou perdido,
Na inconsciência de ser,
Estou só.

Nem a velha cómoda,
Onde o velho pó se acumula,
Na eterna sandice,
De uma velhice eternamente perpetuada nas voltas cerradas do olhar para trás e ver,
Um mundo meio esquecido, um só choro, um só grito,
Uma só ciência, serenada, sem sentido.

Merda para o Mundo!

Quem o criou, ou deixou de criar!
Nobre tristeza infinita de lutar por tudo!
Panos negros,
Tingidos do vermelho do Sangue!
O esforço de ser sempre alguém,
Mesmo que infante, nobre prodígio, prevertido às lágrimas escondidas da Fúria!

Ahh! Solidão de nunca saber ninguém e ser!

Maldito o Mundo!

Maldita a história inanimada que discorre na minha mente!
Entorpece-me a realidade diferente, do Momento, fraterno e oblongo!

Ahh, porquê...

Porquê não ter um barco e voar?
Sonhar por onde o sonho toca a vida?
Perder-me?

Pretendo-me síncrono, qual fuso entupido de não saber estar nem viver,
Sabendo-me nem Hoje nem Amanhã,
Sou Só...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Luz

Quem é que teme?
Senta-te.
Disfruta o prazer de ser envolvido por Nada.
De sentires o fogo imaterial,
Que leva a profunda incógnita.
Ouves?
São as bestas.
Rugem, rasgam, cortam, soltam-se
Da prisão imaterial que criaste!
Levantam-se, quais esferas que rolam
Num rolar sem fim.
São reais?
São.
Vivem num mundo de alegria e paixão,
São filhas de pecados Mortais.
Arrastam-se no limiar dos mundos.
E então olhas,
E vês,
A estrela que desce do céu e arde em ti.
És luz, és força, és tudo o que não és!
Voas!
Para além das sombras do reino do ser.
Encontras a fonte,
E bebes.
Curas a cegueira que te atormenta...
Porque afinal,
Tu não temes.

À Existência

A libertação que ocorre a espaços,
Inúteis,
Devassos heróis de tempos,
Enfim passados no caos mental.

Naturalmente,
Caem muros e flores,
Onde as nuvens passam.
Elevam, escuros,
Os braços mortos,
Daquele morto corpo frio,
Em que o jugo pesado,
Do semi-consciente adormecido,
É dor nua do próprio ser.

Portanto,
Para quê ver encanto,
Na luz que brilha ofuscada?
Porquê o espanto,
Ao ver o mundo cair,
Num mundo,
Onde não existe nada?

Conformemo-nos,
Tudo somos, tudo existimos,
Somos o Deus,
Que embraça a Luz do ver,
Na Escuridão do sentir,
Somos nós,
Somos voz de um segundo perdido,
Do nobre luxo da treva,
Andante por si só,
No loucos confins do Fim.

E nós loucos!
A nós venha o sempre saber,
Sabido.
Que em nós se condense o grito,
A força suprema que gira nas esferas malditas.

Convertamo-nos,
Sem medo,
À existência.

Sonho

Olho para trás e penso
Nas vezes que ganho e não venço,
No que é realmente ser.

Porquê realmente?
Acaso não está presente
Que a vida, mistério diferente,
Se fecha
No simples poder de querer?

Sonhar.
Pensar.
Sentir.
Tudo aquilo que me enche
Para além do meu ser.
São ruínas,
Que me escondem a saudade
De saber sem conhecer.

Porque a verdade...
Essa perdeu-se,
Porventura nunca existiu.
Foi luz condensada num grito.
Mentira genial para quem não morreu.

Assim, de que maneira vale ser?
Talvez,
Olhando as estrelas,
E pensando.

Num tão simples grão de nada

Num tão simples grão de nada,
Fecha-se toda a realidade.

O vento leva-o.
Enrola-o no amor sem fim do cosmos,
Destrói-o na vontade de ser mais do que criar.
Grita que volte
E se encoste a mim.
Que me tenha.

Que veja além daqueles cumes frios,
Onde aqueço a mente.

Ah, realidade demente!
Vai-te, esconde-te no novo prazer de morreres.
Ruge, Sofre.

Observa com prespicácia
Esta luz que nos acolhe
E escolhe.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Banalidade

Assuntos completamente banais...

Sim, falemos sobre como a vida nos é servida,
Qual prato frio,
Entre o quente de um qualquer mundo,
Que se encontra mais além.

E, então,
Nós próprios,
Provamos o gosto da vida.

E, sim,
Encontramos lá aquele toque,
Que não devia lá estar,
Mas sem o qual a vida não seria vida...




Dedicado à Caçadora...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Interstícios

Entre a vida mundana,
Que discorre na nossa frente,
A realidade ausente que nos acolhe,
Enchem-se os interstícios,
De medo.

Medo,
De estar só somente,
De ver todo o Mundo de repente,
Aprisionado,
Na palma da mão.

Angelical sensação,
De poder caminhar,
Sem rumo algum,
Sem mente alguma,
Sem sentir nenhum.

Medo,
De Ser.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

(Re)nascer

Em cada movimento,
Cada acção,
Possessiva ou ironizada liricamente,
Há algo que nos distingue,
Que nos marca,
Qual ideia solúvel,
Num turbilhão inebriante de vida.

E, então, nascemos.
Tornamo-nos pura existência,
Ao sermos agraciados pelo toque dos Deuses.
Porque mais do que centelhas,
Perdidas,
Sentidas,
Inexpugnáveis fortalezas,
Temporalmente cerradas à nossa compreensão,
Somos em alguém.

Nem o som do silêncio,
Do nada límpido, claro,
Obscura ideia de limite,
São fronteira.

Não há barreira que trave estes laços,
Pedaços inconstantes de tempos perdidos,
Pois eles são belos.


Renascemos, por fim,
Revigorados da jornada.
A Lembrança dá-nos sentido.





Dedicado a quem me moveu soprando a brisa, leve. Tocando-lhe com os lábios...