Escrevo-me agora com todas as letras que conheço,
E com todas aquelas que conheci ao longo do tempo em que não me escrevi.
Ao mesmo tempo, sem dar por isso,
Escrevo todas as memórias de que me recordo,
E recordo mais uma vez todas as memórias daquilo que não escrevi.
Recordo-me porque não escrevi.
E escrevo agora
Porque já não me recordo do tempo em que não precisava recordar.
Só neste momento.
Só eu e as minhas recordações vazias, sem amor,
Sem raiva, sem ciúme, sem manchas vermelhas vivas a pintar o azul
De um céu que agora brilha sem cor.
Agora, sou eu sem mim mesmo!
Fracturei-me e, voluntariamente, deixei em cada espaço,
Um pouco do meu tempo.
Em cada instante, deixei risos e medos.
Deixei o Olhar e o Sentir.
Deixei lágrimas, segredos e alegria.
Agora, deixo também este dia.
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