domingo, 28 de dezembro de 2008

Saudades II

Mais saudades,
Saudades que me assaltam,
Saudades do tempo das recordações,
Saudades de não ter saudades,
Tenho saudades.

Tenho Saudades.

Saudades

Tenho saudades.
Saudades,
Saudades,
Saudades,
Saudades,
Saudades,
Saudades,


E falta-me algo.

Memórias

Escrevo-me agora com todas as letras que conheço,
E com todas aquelas que conheci ao longo do tempo em que não me escrevi.

Ao mesmo tempo, sem dar por isso,
Escrevo todas as memórias de que me recordo,
E recordo mais uma vez todas as memórias daquilo que não escrevi.
Recordo-me porque não escrevi.
E escrevo agora
Porque já não me recordo do tempo em que não precisava recordar.

Só neste momento.

Só eu e as minhas recordações vazias, sem amor,
Sem raiva, sem ciúme, sem manchas vermelhas vivas a pintar o azul
De um céu que agora brilha sem cor.

Agora, sou eu sem mim mesmo!
Fracturei-me e, voluntariamente, deixei em cada espaço,
Um pouco do meu tempo.
Em cada instante, deixei risos e medos.
Deixei o Olhar e o Sentir.
Deixei lágrimas, segredos e alegria.

Agora, deixo também este dia.

domingo, 12 de outubro de 2008

Aparte

Fazer apartes relativos a uma dada situação,
É um prazer que nos é dado poucas vezes.
Concretamente, é um prazer (duplo) que nos é dado,
Poucas vezes dadas as circunstâncias.

Mas também, dadas as circunstâncias,
Fazer um aparte da Realidade é algo sem nexo.
Suponhamos nós que nos podemos abstrair de todas as variáveis,
De todos os pensamentos imagináveis, só com a imaginação?

Pena,
Que os apartes sejam circunstâncias sem nexo,
Ou os nexos sem circunstância.
Mas, se não o fossem,
Não seriam apartes.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Friendship II

Há tempos que se eternizam,
Para além do seu valor numérico.
Os segundos são minutos.
Os minutos, horas!
Tempos trnam-se demoras!

Nessa demora restamo-nos nós mesmos.
Ou melhor, nem nós mesmos nos restamos,
Porque entre tempos não somos nada,
Nem ninguém.

Nao somos, efectivamente,
Ninguém.
Mas, na nossa inexistência,
Não existimos sós.

Por cima de nós,
Por cima do nosso orgulho de seres inexistentes,
Existe algo imaterial, algo da Eternidade.

Existe a Amizade.

domingo, 17 de agosto de 2008

À Procura de NY

Nova Iorque...
Terra e Céus misturados numa profusão de cores,
Oscilando com o movimento suave e síncrono,
Daqueles que a compõe.

Mas, é isto Nova Iorque?
Será Nova Iorque as luzes a piscar,
Quais milhões de corações de uma cidade que nunca dorme?
Ou será a neve que cai no Inverno,
Branca,
Dando a tudo um toque de imponderabilidade no Tempo?
Ou mesmo o Homem,
Que faz aquele Jazz deambular,
Entre cada sorriso das crianças que passam?

Ou então, Nova Iorque é o fumo do cigarro,
Meio consumido, meio inteiro,
Que agitado,
Arde lentamente na mão daquela Mulher.
Daquela Mulher sentada,
Elegante,
Distante daqui.
Distante.

Aquela Mulher Sonha.
O Sonho é Nova Iorque.

sábado, 16 de agosto de 2008

Compreensão

Alguma vez pararam tempo suficiente,
Para conseguirem parar o Tempo?
Alguma vez fecharam os olhos,
Respiraram,
Aspiraram todos os movimentos do Mundo,
Cada batimento vivo dentro de vós e de cada uma das coisas que vos rodeia?

Alguma vez,
Foram um só?
Um ente inteiro.
Ligado a tudo,
Sentindo todas as gotas de chuva que caem longe,
Como se vos banhassem naquele momento?
Frias,
Vivas.

Alguma vez, fecharam os olhos,
Para Ver?

Alguma vez fecharam os olhos?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Hipnose

Será que,
Por um momento só,
Alguém pensou em pensar?

Melhor,
Será que,
Por um momento só,
Alguém pensou no pensar?

Pergunto isto
Não por pensar que penso,
Mas porque penso que pensar,
Poderá, eventualmente,
Trazer algo de novo ao meu pensamento.

Humm, é verdadeiramente curiosa esta ambiguidade,
Que se reparte entre pensar, pensamento e ter pensado.
E,
No fundo, tal não passa de um simples engodo imaginário,
Lançado ao ar pelo Tempo.

Ahh sim, é esse Tempo!
O Tempo que faz velho o Pensar!
Ou antes,
Que o faz semi-novo!

domingo, 10 de agosto de 2008

Tristeza

Hoje, que me lembro dos momentos que passei noutros tempos,
Que me recordo da linha que me guiou na criação de um Mundo,
Que advogo e defendo como meu,
Sou lúcido demais.

Tanto ver que tenho!
Sei tudo o que me rodeia porque é meu,
Porque sou uno com estas linhas que escrevo e com o Mundo a desabar sobre mim!

Procuro o fim,
Sem saber ou conhecer qualquer princípio,
Simplesmente porque todos são meus!

Vivo aprisionado nestas correntes que me deixam inpune,
Ante um Mundo permanentemente em branco.

Perpetual Motion

Num desses dias de Sol e de Chuva,
Onde é indistinta a existência Real ou Irreal,
Movem-se matérias...

Mas, aspecto curioso,
O materialismo da matéria reveste-se de uma rigidez intangível.
Tão dura quanto a fluidez do nosso pensamento.

Este pensamento verdadeiramente único!
Qual micro-cosmos,
Dobra,
Estende,
Distente.
É nulo em sentido e percepção,
É existência do Tempo, agora, num momento único,
E então desmancha-se em todos os pedaços imagináveis e inimagináveis,
Catalisados por uma fome de Mundo.

Uma fome sem fim!
Voracidade própria de seres incompletos, imcompreensíveis,
Ávidos de constante reinvenção!

Viva para eles a mente e o saber!
Com eles moldam tudo à sua volta,
Dentro de um tempo que não acaba,
Não começa,
Que se há-de perpétuar na realidade.

E eu ?

Humm, eu...

Eu procuro este Sol e esta Chuva,
Que me molha e aquece,
Que me faz saber que estou triste,
Porque vivo em eterno Nada,
Porque penso...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Motivo

Há existências que nos prespassam,
Quais estados de levianez.
Olhamos para variados objectos
E vemos sempre uma confusão de Tempo neles reflectido.

Como eles, também nós nos achamos a nós mesmos
Em determinadas situações,
Às quais escapar se torna impossível.

Mas, porquê escapar?
Será assim tão absurdo entregarmo-nos a nós mesmos?
Provavelmente, somos excessivamente valiosos para pegarmos na nossa consiciência
E a lançarmos para fora de nós,
Como se de nada se tratasse.

No entanto, e para além disso diga-se,
Pois falamos de coisas que nos transcendem,
Teimamos numa pseudo-interpretação do Mundo,
Subjugada a um irrealismo metódico.

Por exemplo, qual é o motivo daquele carro que agora passa,
Já passou, enfim,
O motivo da gota de chuva etérea, virginal,
Que agora cai,
Que se levanta novamente em milhares de gotas,
Que voltam a cair novamente neste eterno suplício de realidade inacabada?

Parece-me sensato ajuizar que não há aqui motivo nenhum.
Mas, e porque sei que a questão é pertinente,
Que dizer de uma acção humana?

Não digo nada, porque não tenho motivo.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Suspenso

Temos definitivamente um tempo efémero.
Um tempo que não podemos suspender,
Mas que por força própria nos suspende a nós,
Sempre que tal lhe é proveitoso.

Somos suspensos acima da Realidade,
Acima dos Outros,
Acima do Mundo,
Acima de Nós Mesmos.

Pairamos quais nuvens sobre a nossa própria consciência.
Somos o imaterialismo que, imaginativamente,
Dá colorido e forma as percepções que nos rodeiam.

Ahh mas que tristeza esta de ser Eu sem nunca ser Eu!
Que tédio esta infindável mudança,
Esta espiral negra de imaginação sem fim.

Que bom que era ser suspenso disto tudo!
Suspender a suspensão!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Murmúrio

Entre a Realidade das nuvens,
Do Céu azul que me rodeia,
Do Mar, aberto, revolto, indo e voltando nas intermitências de um ser sem explicação,
E a minha Realidade,
Não vejo senão imaginação.

Sou tudo o que imagino.
Sou o calor que me aquece a face,
Os olhares dos outros que me olham.
Sou eu mesmo e não sou ninguém como consequência disso.

Estou em todos os movimentos de tudo.
Rodo qual Sol, Terra, Lua, ou outro elemento espacial.
Sou arbusto, árvore, flor, fruto, feito Nada.

Sou tudo agora, sempre que quiser, porque sou só pensamento.
Cada pensamento desfiado do novelo imenso que se instaurou em mim,
É mais um passo deste Nada que me sustém imaterial.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Agrafador

À medida que escrevo estas linhas pergunto-me se, de facto,
As escrevo.
Apesar de ser inegável este rabiscar frenético do papel,
Questiono-me até que ponto o papel existe.
Até que ponto o lápis existe.
Até que ponto quem lê existe.
Até que ponto pontos, vírgulas, sinais
E outros instantes finais e iniciais,
Existem.
Ahh, esta raiva de nada me garantir que sou mais do que ideias!
Que tudo o que me rodeia são pensamentos abstractos.
Nada, criado por um vazio de Nada.
A tristeza de saber que todos os Outros são imaginados por mim,
Que tenho de mentir toda a Realidade!
A angústia de tudo ser meu!
De ser Rei, Senhor
De ser Deus!
De assumir em mim todo o poder criador!
E o tédio...O tédio de saber tudo, não sabendo Nada!
A abulia de não precisar de sistemas,
Teorias, filosofias, arte, ciência,
Para compreender.
Sinto-me alienado. Não, não me sinto!
Concebo-me mentalmente alienado!
Sou um produto à venda de mim mesmo!
Sou carne e nervos e sangue,
Expostos numa vitrine sem Existência!
Todo este Mundo é meu!
Mas está vazio.

Friendship

Amigos...

Cada um de nós joga uma partida a pares de um jogo infindável.
Entre tácticas, estratégias, cálculos, fórmulas mentalmente deduzidas,
Movemo-nos quais peças num jogo de xadrez.

Entre 64 hipóteses, lutamos numa duplicidade de cores.
Alternamos entre o preto e branco,
Enquanto o vermelho raia nos nossos olhos.

Num quadrado, amamo-nos e odiamo-nos mutuamente.
Somos peças de marfim polido e brilhante,
Produto mental do Universo.

Entre cavalos, reis, torres e bispos.
Comemo-nos,
Devoramo-nos uns aos outros num vórtice carnal.

Há peões que correm, enfrentando o Caminho para a ascensão!
Rainhas que se prostituem!
Há mil e uma hipóteses!

Mas, felizmente,
Alguém deixou cair o tabuleiro.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Gatafunhos

Deixa-me gatafunhar umas letras à pressa antes que me esqueça das ideias conceitos construções que queria concretizar em Realidade.

Ah, esta pressa...Este querer sempre mais,
Do Mundo que roda cada vez menos.
Uma necessidade marcadamente carnal,
De escavar túneis até uma nova Realidade.

Quero olhar tudo e todos nos olhos,
E perscrutar todos os desejos escondidos,
Todas as não-existências guardadas no mais secreto dos locais.

Quero libertar-me da cegueira, que me quebra a luz,
De cada mente que se inova a si mesma.

Quero ferro e fogo para me lembrar da lembrança.
Quero olhar para o céu onde todas as estrelas brilham,
E deixar-me levar.

Teoria Caótica da Separação Atómica

A coesão,
É um conceito que se coloca para além do nosso simples entendimento.
Distante, oculto e nebulento como outros análogos,
Mas dos quais depende o síncrono bater do Universo.

Verdadeiramente, custa-me aceitar toda esta estabilidade,
O facto de reduzirmos a metade de nada,
Toda a suprema força do Ser.
Erradamente, só porque ele é Ser, porque dele depende a desordem,
Minimamente organizada deste Caos Atómico de Pensamento.

Estamos condenados a ser donos da Realidade . Condenados a sentir, a pensar, a amar, a viver, a partir, a chegar,
A descobrir mil portos,
Destes mil mares da consciência humana.

Fluidamente moldáveis ao gosto do Sol, passando entre cada pingo de chuva,
Que acelera até se confundir com a Terra.
Que belos são a noite e o dia, só por serem noite e dia, por não serem nada, por não serem tudo.

Cada brilho na mente quebra mais um escudo,
Desta forçaa protegida de tudo e todos,
De nós mesmos.
Cada respirar fundo é beber na fonte da eterna juventude.
Receber aquela renovação espiritual que me faz ver o Mundo.

Que me faz ver o Mundo através de ti...

domingo, 11 de maio de 2008

Timeless

Running against myself, againts my conscience,
Against bargains and theifs, against my soul.

I'm hiding in nothing. Searching for every possible entry in the separation between time and space. Fighting, simply to reach more unquestionable questions.

Why do I need to see this dawning light? Why do I need to stand, when everything is falling appart? There's no time to waste. Just push the button, try again, Restart.

Restart the insanity, restart all your fucking fears! Let them take control above you, guide you through mists and stroms. Watch your tears falling over the table, while its raining outside. Hear them beating as your heart does. Feel their own feelings, their own expressions,
Their own way to see the world.

Shout every single word you don't know! Shout with your silent voice! Say it, before time catch you!
Remember how fearless you are.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Lágrimas

Quantas vezes já me perdi em frente desta janela que tanto amo?
Perdi-me em pormenores.
Menores, maiores, mas perdi-me.
Como se perde toda a consciência sempre que deixamos que tal aconteça.

Perdi-me em cada gota de chuva que cai ante os meus olhos.
Cada pedaço meu estilhaçou-se noutros mil e dividiu-se pelo infinito de todas as Realidades.
Todas as verdades de cada pingo que toca esta janela com um baque sonoro,
Tão sonoro como o silêncio retumbante da minha alma.

Cada pingo, como cada batimento deste coração que me foge a todo o momento,
Para aqui, para longe, para todo o lado onde não possa ou queira estar.
Cada pingo, como cada oscilação de alma que me foge a todo o momento,
Para onde as almas se encontram.

Cada pingo, como cada lágrima que imaterialmente cai sobre cada palavra que penso.
Cada lágrima, libertando-me de tudo, de mim mesmo.

Menos de algo.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Surreal

Becos, fundos, sinais, profundos,
Vida, infinito, gotas, perda,
Paz, libertação, inacção,
Volatilização, almas.

Inexpressivo sentimento atroz,
Veloz, sem fúria descanso morte, acordar deitar,
Morrer de novo e viver outra vez outra vida.
Agora, nunca, já até sempre que é sempre tempo de não sermos nada,
Nem mesmo aquilo que não queremos que os outro sejam por nós!

Não temos nada, nem mesmo voz para gritar nestas alturas
Em que temos de saltar de prédios altos, que mal se elevam do chão.
Somos largados por nós mesmos a metros incontáveis de simples construções de nós próprios.
Sufoco, prisão, luz, liberdade,
Caleidoscópio de cores e sensações.


Abstracto, nulo, ou inverso que nada é se não fora,
Que já passou, enfim que interessa isso, não vale a pena,
Morramos todos e tudo morra agora que já não há mais segundos para gastar da nossa conta que nos foge sem medo de si mesma, de nós ou daquelas árvores.

Pecado, olhar, poder,
Passo, revolta, liberdade, fim.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Poema

Um dia,
Escrevi um poema chamado Poema.
Um conjunto animado de estrofes e versos,
Sem nenhum outro conceito,
Que não fosse o de poema.

Contextualização organizada, de palavras que me sobem à cabeça.
Cria-se algo que me ultrapassa a mim mesmo.
Ligações imateriais surgem nesta folha de papel,
Unindo palavras, ideias, realidade
E Sonho.

Sonho, pois a concistência do Mundo,
Não é suficiente para suportar poemas.
Porque só o sonho poético tem concistência,
Para sofrer reinvenção constante.

Mas, acima de tudo,
Escrevi um Poema chamado poema.

domingo, 6 de abril de 2008

Mostruário

Em mais uma daquelas viagens inesperadas,
Que a mente se obriga forçosamente a ter.
Que me levam para longe de qualquer coisa a que eu, e muito mais gente estranhamente,
Continua a chamar ser,
Encontro algum escândalo e furor.

Mas nada de muito especial, ora essa.
Fosse eu preocupar-me com isso, perdia-me a mim,
E à minha capacidade lógica de condensar tudo dentro de momentos brilhantes,
Como o ouro que reluz nos cantos negros da imaginação.

Só preocupações excessivas com temas demasiado actuais,
E que, por ímpeto próprio, ou por estranha forma que alguém lhes dá, se tornam brutalmente banais.
Pena que o ontem, o agora e o depois não sejam já...
Assim resolvia-se todo o mistério da existência que vamos existindo. Curiosamente, sem termos existência nenhuma.

Afinal, porque é que tudo acontece? Porque é que surgem encadeamentos na acção,
Voluntária ou involuntariamente?
Porque é que somos mostruários para toda a sociedade? Qual é a necessidade de andarmos expostos, nus, em carne viva ao olhos de todos os que nos prescutam?

Melhor,
porque é que olhamos?

Riso

Através da janela que se abre à minha frente,
Qual separação etérea entre mim mesmo e a realidade que vejo, mas não olho,
Há mil e uma imagens a discorrerem.
Todas ao mesmo tempo.
Todas paradas e em movimento constante, sem fim, sem nexo.

Tudo se mexe para todo o lado.
Sem sentido, sem vontade, sem saudade,
Do pensamento entretanto esquecido num canto qualquer,
De uma gaveta qualquer, daquele móvel antigo.

Ahh sim, antigo como o tempo. Antigo como as sílabas saídas não se sabe de onde.
Antigo como a inexistência de conceitos próprios para exprimir uma realidade,
Indefinível por tons de voz, de cor, de sabor.

Rio-me...
Rio-me de toda a tristeza da sociedade.
Da mediocridade de certos e determinados actos involuntários.
Desato às gargalhadas com tentativas pseudo-frustradas de vender a alma!
Ahh, já tenho lágrimas nos olhos, de tanto ver o que à minha frente discorre.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Céu Estrelado

Em tantas nuvens que vejo passar no céu,
E no interior da minha alma,
Vejo-me sempre diferente e límpido,
Como o Cristal negro que brilha e pulsa dentro de mim.

A cada momento passo os dedos pelo etéreo cosmos que reside no fulgor que me percorre.
Penso força e medo ao mesmo tempo.
Momento e futuro, separados por uma barreira de fogo densa.
Mas leve,
Tão leve, que ao menor toque da destruição brutal do Mundo,
Deste ou de outro que se atrever a tal,
Se pode apagar.

E cada lágrima caída,
É um pensar perdido algures entre o consciente,
E a consciência do real inexistente.
Só o meu Cristal existe dentro de mim.
Mais negro e brilhante,
Que qualquer céu estrelado.

domingo, 23 de março de 2008

Malabarismo

Caminhando nesta rua vazia de sensibilidade humanamente palpável,
Cheia de erros, desprezível, verdadeiramente detestável,
Sem novos sinais que apontem a saída, a entrada,
A nobre escada da vida vivida.

Curiosa esta rua.
Sempre cheia de soluções, de gente,
Da clarividente matéria em que flutuam as Razões.
E que, estupidamente, está tão vazia,
Como o Vazio inexplicável, do sentimento que atrofia.

Ahh, mas que regressão linear, potencial,
Potencialmente fatal, destas mentes denegridas pelo suor carnal,
Que lhes tapa a vista, que lhes tira o previlégio de ser gente.
De, pelo menos, ser diferente daquilo a que costumamente nos habituámos,
Sendo ausente.

Porque, no fundo, há presença em excesso.
Presente, presentificadamente, a realidade teima em não aparecer num tom diverso.
Fica tudo agarrado a uma concepção perdida,
Imerecida, esquecida, da pseudo-realidade, que nunca foi, existiu, e deixou de ser.
Quer-se elevação espirtual, diferença,
Mudança, em todo o carácter que possa ser radical.
Pretende-se liberdade sexual, libertar essas fúrias contidas em produtividade,
Em fazer perder a saudade do tempo que já lá vai.

Abram-se de uma vez essas mentes!
Verta-se toda essa imaginação, essa cor,
Esse amor, essa vontade de mudar.
Basta de dizer só sim e não,
Urge sentir o ar fresco da manhã,
E levantar os olhos.

sábado, 1 de março de 2008

Livro

Num daqueles passeios habituais,
Que toda a gente dá ao Sol,
Menos eu, que aprecio vivamente passear à chuva,
Lembrei-me de deixar descansar a existência,
E sentar-me onde apeteceu à minha mente.

Virei, então, uma página do livro,
E a História discorreu à frente dos meus olhos.
Um oferecer brutal,
Carnal,
Uma dose de amor completamente desnecessário,
Uma filha-da-puta de uma coisa qualquer que só tem explicação lógica!
Numérica!
E em valores hexadecimais, exceptuando os casos em que contamos como nos apetece!

Mas que merda, toda esta dose de pornografia barata que para aqui se vende! Todos os sentimentos dúbios, nulos, expressos onde convém e não convém!
Melhor ainda, que vá para o diabo tudo aquilo que é expresso! Que vá para a consciência, para o ser, tudo aquilo que não devia ser exposto de maneira desregrada, sem força, vitalidade, sanidade, só porque é bit, bite (que no fundo não é nada)!


Que me desapareça da frente,
De vez,
Toda esta parafernália de coisas que teimam em saltar-me para os olhos,
Aos molhos, sempre em doses monstruosas de afecto insano!

Ahhh, mas que nojo! Mas que raiva de tudo aquilo que não tem base e sustentação física, firme,
concreta, ou então abstracta, que se foda, mas que tenha sustentação!

Entretanto, decidi virar a página do livro,
Porque estava farto.

Mundos

Portanto,
Após ponderar seriamente, mas obviamente sem muita seriedade,
Todas as variáveis que me foram apresentadas, metidas dentro de um livro velho, fechado
Mas que, por pura estupidez ou falta de vontade (tempo, digo eu, tempo),
Ninguém ainda se dignou a abrir, a folhear, a cheirar, a Sentir, ou a querer,
Cheguei à conclusão que me quero matar.

Sim, não vejo necessidade nenhuma de continuar a existir.
Tendo em conta a passagem leviana que sou,
Um simples roçar, raro, do Mundo que nunca foi meu,
Decido simplesmente matar-me.

Sem nenhuma angústia,
Problema,
Necessidade,
Impulso,
Fúria, raiva, ou mesmo vontade.
Nada me leva a querer matar-me.

O que, de certa maneira,
Até faz algum sentido, se olharmos este assunto debaixo de um sol escaldante,
Afogados em certezas acerca da realidade que nos rodeia.
Se examinarmos a questão de multiplos e multicolores prismas,
Podemos obter mais soluções do que a minha, seguramente,
Mas não adiantam nada para este problema.

Vejamos,
Estamos perante uma equação matemática,
Onde incorrigivelmente, o resultado é sempre o mesmo,
Tirando as vezes em que me apetece que assim não seja.

Porque,
No meu Mundo a matemática não faz sentido,
Assim com a química, a álgebra e toda a física estelar, intra exo e poliplanetária.
Só faz sentido matar-me.

Ora, curiosamente, eu não vivo no meu Mundo.
Vou vivendo nos mundos que vou encontrando por aí,
Perdidos,
Espalhados,
Mas sempre novos para voltarem a ser usados para múltiplas funções.
Huum, em última análise sou um vagabundo de mundos.

E, precisamente por essa razão,
Que, ao fim ao cabo, não tem cabimento nenhum,
Vou matar-me.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Enxurrada espiritual

Alta vai a luz do dia, imanente alegria,
Abro os olhos, vejo o mar, que a consciência arrelia.

Sem saber de nada, a permanente evolução.
Encerra amor, luta, medo lento e satisfação.

Nula é a acção, enfim, está tanto frio lá fora,
Paz de espírito que atormenta, e eu não vejo a Hora.

Nem à luz de verbos incandescentes, erros vagos imorais,
Persigo a sensatez de ser, escrita nos sinais.
Mas quem precisa de saber de tudo,
De olhar para tudo, de lutar por tudo,
De um ano novo num entrudo.

De celebrar a criação que no fim é parte de nada,
De estar só mais do que tudo, perdido na enxurrada.
Alheada a minha vontade superior de ser,
Enaltece o que está bem,
Vive e deixa morrer.

E não me interessam nem intrigas nem pressupostos banais,
De amor, de silêncio, vazios, sem qualquer cor.
Ideias nefastos, sem nexo aparente,
Olho o Mundo, sem sentido, material, indiferente.
Nem o Sol, nem a Chuva, nem a Noite, nem o Dia,
Me confortam a alma, nem há Luz na Alegria.

Nem de mim me ria, nem de ser Homem, nem ser Mulher,
Solidão existêncial, no fundo ninguém me quer.
Ou sou mais eu que não quero, que no fundo ninguém me tenha,
Sou mais eu que me abstenho de ser algo que se entranha
Sou mais eu que me enquadro bem longe de toda a dor,
Vivo a fingir no luto, sentir vulgo sem pudor.
E sou eu que me julgo, sou eu quem dita as minha leis,
Sou eu quem me crio, e me escrevo em papéis.

Sem medo nenhum, invento-me constantemente,
Sou sempre sozinho, mais do que louco sou doente.
E também a consciência me deixa só, ao meu cuidado,
Sou uno comigo mesmo,
Ser único e consagrado.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Posso?

Será que posso fazer aqui algo completamente irreal,
Banal,
Diferente do comum habitual,
A que nos habituámos,
Por puro desleixe espiritual, psíquico, lógico e filosofal,
Por pura vontade de não fazer rigorosamente nada de especial,
De subtil ou de paranomal,
Só por querer evolução desregradamente limpa de qualquer perconceito material,
Só por ter uma vontade carnal de não querer fazer qualquer tipo de coisa,
Que não seja entregar-me inteiro, universal, a esta louca tarefa?

Será que posso?

2 da Manhã

São 2 da Manhã.
Mais do que tempo para o Sol nascer.
Mais do que tempo para alguma luz brotar de algum recanto escondido.
Mais do que tempo,
Para ser tempo de alguma coisa.

Só por serem estas horas,
Já dá vontade não sei de quê.
De qualquer coisa amorfa, nula, sem sentido algum,
Algo reconfortante, comum,
Algo distante, perdão, algo nenhum.

Pede-me o espírito que oiça o vento lá fora.
Mas para quê?
Já me chega ouvir o vento dentro de mim.
É extremamente suficiente ouvir as melodias que oiço,
Repetidas vezes, sem fim à vista.
Desarmada,
A consciência retira-se para parte incerta,
Distante de mim mesmo, ou de outros aos quais me vou parecendo,
Totalmente ignóbil.

Bela altura esta, não haja dúvida.
Ao menos aqui, neste tempo, meio espaço levitante,
Nada me impede de pensar sem qualquer dor,
Nada me impede de ser abstracto para mim mesmo
E sentar-me onde bem me apeteça.

Nem as leis morais,
Cuja fundamental verdade real,
Me estranham, ou parecem minimamente anormais.
Não crio qualquer espécie de problema,
Em deixar perder-me nesta corrente.

Apenas tenho a certeza,
De que o Tempo não me deixa em paz.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Confusão

Ao passear-me por esses antros de amor sem fim,
Deparo-me, intrigado,
Em quantas luzes brilham por todo o lado,
Trazendo escuridão e temor.

Enfim...
Quebranta-se a paz de espírito.
Num louco correr de nada.
Por nada.
Sem nada.
Só danças voláteis sobre almas,
Inabitadas.

Cansadas e permanentemente sufocadas,
Na necessidade material de iconizar o sentimento.
Um superficialidade astuta, demente,
Decorrente da luz.

Possa eu não ser,
Nem uma simples molécula.
Possa eu abster-me do todo material,
Chorar todas as lágrimas de Fogo,
Que me queimam a face, a alma!
Só porque quero, Só porque gosto!
Possa eu não ter calma nenhuma, nunca!
Nem por um instante deixar de Gritar,
De Sentir, de Sonhar, de Amar!
Possa eu não olhar, não ver,
Não me deixar cair em redundâncias inúteis,
Vazias.

Ahh sim, é isso que eu quero...
Um céu estrelado sobre mim,
Em mim,
Só para mim...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Obtuso

Esquadrinhava, a par e passo, memórias etéreas,
Que de perdidas, têm o prazer de viver.
Ao louco saber, que me assalta, a cada esquina,
Cada ângulo, cada recta que me corta o pensamento infinito.
Perdido, perdida, perdidamente.

Matemáticas dúbias despoletam reacções anárquicas,
De calculismo regrado, puro, nulo na vida.
Passo ao rectangular pedaço que se desdobra, disforme,
Enorme peça e relógio; belo tempo que se desfia,
Nas minhas mãos,
Sem mim.

A clara água régia, regida, por quem vago direito teve
De a manter inóspita,
Calma à necessidade de conhecimento.

Revejo-me em tudo,
Qual circunferência que rola nos aros inconfináveis,
De uma vida maior, melhor,
Superior na vã ascendência, cadente elevação espiritual.

Triângulos, mais que a mim me possam saber,
Tão inumeramente perfeitos,
Em concepção na multidimensão da mente.

Volto a mim,
A Casa.
E sinto-me obtuso.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

We all go to hell...

Passar a pé aquelas ruas infinitas,
Sem nexo nenhum na alma, ou ideias que se sobreponham ao perder-me,
Qual inconsciente,
Incompreendida solidão, volátil na mais pequena brisa.


Dancemos, ao som electrizante do bater da chuva,
Na janela que nos olha sem pavor.
Cantemos pura alegria, sem a sentir,
Experimentar, Viver,
Ao menos saber não ter perdido nada, de tudo o que não tenho!


Continuemos a caminhada,
Não vamos esperar que aquele sinal fique de um verde...
Rubra e incandescente a lâmpada que o acende e lhe dá um brilho,
Aquele brilho...


Aquele brilho que eu toquei,
Aquela vontade toda concentrada naquele ponto, Força ali toda em bruto,
Brutal, Brutalmente amada.
Inteira ao pecado mortal de se querer para si.
Cansada de lutar pela Lua...

Ah, chegámos...
Já sinto o brilho do Inferno...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Ao Sol

Sentei-me agora nesta cadeira sem braços, ou pernas,
Ou existência que seja.
Sentei-me, só para apreciar o Sol de Inverno que brilha,
mas não me entende.
E é curioso o facto de ver discorrer,
Imparável,
Inacessível,
O movimento inexorável da vida,
Presa numa simples teia de medo.

Mas para quê preocupar-me?
Afinal, nem o Sol se preocupa.
Só me aquece,
E que bem que o faz!
Fenece, mas assim é a realidade mordaz.

Humm, sim em suma avaliação são bateres sincronizados da morte.
Vaga e triste a sorte do sentir.
Enfim, só ele tem a culpa de não ser propriamente,
De viver agarrado à displicência de quem o aceita.

Ah, uma nuvem...
E gela-me a sensatez,
Cai o calor nobre e nu sobre a realidade.
Despida,
Esvaziada do preconceito vil e avarento.
Corpos nus abraçam-se,
Consomem-se na beleza de se amarem,
Engolem-se, rasgam-se, devaneiam-se!
Ah, mas que belo é o amor!
Que epopeia sem dó nem piedade,
Promíscua saudade de tempos futuros,
Que vem e vão!
Mas que prazer, que luxúria!
E os gritos!
Aquele sentir, o sumo fervor!
A explosão de tudo e nada, já agora até sempre!

Mas, onde vai agora a nuvem?
Onde?
O simples vidro só me mostra o Sol belo,
Radiante, qual guerreiro triunfante,
Numa batalha que nem eu próprio me recordo.

Já ninguém está comigo.
Cessou a epifania,
E o Sol não me entende.

Passagem

Nesta eterna praia em que me encontro,
Onde vento, luar e mar, me encontram,
Tão triste,
Tão distante,
Tão sentimento.

Nem na fúria do tormento, me levantam a consciência.
Súbtil,
A eterna violência de não sonhar o tempo.
De ser análogo a mim mesmo, na altura que já perdi.

Ah, passagens infinitas pela orla do Saber!
Tanto mal, tanto querer!
Tanto não viver por tudo, e mais a alma lúcida!
São as voltas eternas de me sentir,
Sentado, sem medo da Luz.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Entre as pedras da calçada,
Que percorro, sem-fim,
Revejo-me a cada momento.

Entre cada passo,
Medido, ou perdido,
Na inconsciência de ser,
Estou só.

Nem a velha cómoda,
Onde o velho pó se acumula,
Na eterna sandice,
De uma velhice eternamente perpetuada nas voltas cerradas do olhar para trás e ver,
Um mundo meio esquecido, um só choro, um só grito,
Uma só ciência, serenada, sem sentido.

Merda para o Mundo!

Quem o criou, ou deixou de criar!
Nobre tristeza infinita de lutar por tudo!
Panos negros,
Tingidos do vermelho do Sangue!
O esforço de ser sempre alguém,
Mesmo que infante, nobre prodígio, prevertido às lágrimas escondidas da Fúria!

Ahh! Solidão de nunca saber ninguém e ser!

Maldito o Mundo!

Maldita a história inanimada que discorre na minha mente!
Entorpece-me a realidade diferente, do Momento, fraterno e oblongo!

Ahh, porquê...

Porquê não ter um barco e voar?
Sonhar por onde o sonho toca a vida?
Perder-me?

Pretendo-me síncrono, qual fuso entupido de não saber estar nem viver,
Sabendo-me nem Hoje nem Amanhã,
Sou Só...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Luz

Quem é que teme?
Senta-te.
Disfruta o prazer de ser envolvido por Nada.
De sentires o fogo imaterial,
Que leva a profunda incógnita.
Ouves?
São as bestas.
Rugem, rasgam, cortam, soltam-se
Da prisão imaterial que criaste!
Levantam-se, quais esferas que rolam
Num rolar sem fim.
São reais?
São.
Vivem num mundo de alegria e paixão,
São filhas de pecados Mortais.
Arrastam-se no limiar dos mundos.
E então olhas,
E vês,
A estrela que desce do céu e arde em ti.
És luz, és força, és tudo o que não és!
Voas!
Para além das sombras do reino do ser.
Encontras a fonte,
E bebes.
Curas a cegueira que te atormenta...
Porque afinal,
Tu não temes.

À Existência

A libertação que ocorre a espaços,
Inúteis,
Devassos heróis de tempos,
Enfim passados no caos mental.

Naturalmente,
Caem muros e flores,
Onde as nuvens passam.
Elevam, escuros,
Os braços mortos,
Daquele morto corpo frio,
Em que o jugo pesado,
Do semi-consciente adormecido,
É dor nua do próprio ser.

Portanto,
Para quê ver encanto,
Na luz que brilha ofuscada?
Porquê o espanto,
Ao ver o mundo cair,
Num mundo,
Onde não existe nada?

Conformemo-nos,
Tudo somos, tudo existimos,
Somos o Deus,
Que embraça a Luz do ver,
Na Escuridão do sentir,
Somos nós,
Somos voz de um segundo perdido,
Do nobre luxo da treva,
Andante por si só,
No loucos confins do Fim.

E nós loucos!
A nós venha o sempre saber,
Sabido.
Que em nós se condense o grito,
A força suprema que gira nas esferas malditas.

Convertamo-nos,
Sem medo,
À existência.

Sonho

Olho para trás e penso
Nas vezes que ganho e não venço,
No que é realmente ser.

Porquê realmente?
Acaso não está presente
Que a vida, mistério diferente,
Se fecha
No simples poder de querer?

Sonhar.
Pensar.
Sentir.
Tudo aquilo que me enche
Para além do meu ser.
São ruínas,
Que me escondem a saudade
De saber sem conhecer.

Porque a verdade...
Essa perdeu-se,
Porventura nunca existiu.
Foi luz condensada num grito.
Mentira genial para quem não morreu.

Assim, de que maneira vale ser?
Talvez,
Olhando as estrelas,
E pensando.

Num tão simples grão de nada

Num tão simples grão de nada,
Fecha-se toda a realidade.

O vento leva-o.
Enrola-o no amor sem fim do cosmos,
Destrói-o na vontade de ser mais do que criar.
Grita que volte
E se encoste a mim.
Que me tenha.

Que veja além daqueles cumes frios,
Onde aqueço a mente.

Ah, realidade demente!
Vai-te, esconde-te no novo prazer de morreres.
Ruge, Sofre.

Observa com prespicácia
Esta luz que nos acolhe
E escolhe.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Banalidade

Assuntos completamente banais...

Sim, falemos sobre como a vida nos é servida,
Qual prato frio,
Entre o quente de um qualquer mundo,
Que se encontra mais além.

E, então,
Nós próprios,
Provamos o gosto da vida.

E, sim,
Encontramos lá aquele toque,
Que não devia lá estar,
Mas sem o qual a vida não seria vida...




Dedicado à Caçadora...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Interstícios

Entre a vida mundana,
Que discorre na nossa frente,
A realidade ausente que nos acolhe,
Enchem-se os interstícios,
De medo.

Medo,
De estar só somente,
De ver todo o Mundo de repente,
Aprisionado,
Na palma da mão.

Angelical sensação,
De poder caminhar,
Sem rumo algum,
Sem mente alguma,
Sem sentir nenhum.

Medo,
De Ser.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

(Re)nascer

Em cada movimento,
Cada acção,
Possessiva ou ironizada liricamente,
Há algo que nos distingue,
Que nos marca,
Qual ideia solúvel,
Num turbilhão inebriante de vida.

E, então, nascemos.
Tornamo-nos pura existência,
Ao sermos agraciados pelo toque dos Deuses.
Porque mais do que centelhas,
Perdidas,
Sentidas,
Inexpugnáveis fortalezas,
Temporalmente cerradas à nossa compreensão,
Somos em alguém.

Nem o som do silêncio,
Do nada límpido, claro,
Obscura ideia de limite,
São fronteira.

Não há barreira que trave estes laços,
Pedaços inconstantes de tempos perdidos,
Pois eles são belos.


Renascemos, por fim,
Revigorados da jornada.
A Lembrança dá-nos sentido.





Dedicado a quem me moveu soprando a brisa, leve. Tocando-lhe com os lábios...